quarta-feira, 3 de agosto de 2016




Se já começo a ter um fio relativamente contínuo, as torções são outra história completamente diferente. O tipo de torção que mais gosto acaba por ser demasiada e lá vai o fio por aí adiante, a fazer caracóis por todos os lados. Lavar a lã e bater numa parede é opção e facilita, mas não mitiga completamente o problema.



Entretanto começo a perceber um bocadinho mais da roda e da sua manutenção: já consigo mudar o fio que liga a roda à bobine e já percebi como fazer com que ele fique bem tracionado, sem estar demasiado apertado ou laço. Também já percebi que apertando ou alargando a tração das molas o tipo de movimento que tenho é completamente diferente. Faz-me lembrar as aulas de guitarra e a questão da afinação – há “apertos” que funcionam melhor para fiar, outros para torcer. Por agora experimenta-se muito – como já me disseram há algum tempo, mas para outra situação “vai ter que estragar muito material até conseguir fazer isto bem!”






terça-feira, 26 de julho de 2016


Parti uma agulha a rematar a ponta de uma meia. Não era uma coisa complicada mas como tenho sempre o ponto demasiado laço acabo por usar agulhas mais pequenas do que é suposto e desta vez correu mal. É claro que se fossem agulhas metálicas isto não acontecia, mas continuo a preferir usar agulhas de madeira para o tricot.

As meias são para oferecer a um bébé que está para chegar. 




domingo, 24 de julho de 2016

O Sucedâneo


“Da mesma maneira que caracterizamos outras eras – por exemplo, a era do conhecimento, da cavalaria, da fé, etc – parece-me que poderemos caracterizar a nossa como a era do sucedâneo. Noutros tempos da história do mundo, se não se podia ter uma coisa, as pessoas passavam sem ela e não se pensava mais no assunto. Aliás, na maior parte dos casos, nem sequer davam pela falta dela. Hoje em dia, porém, somos tão ricos em informação que sabemos da existência de muitas coisas que deveríamos, mas que não podemos, ter. No entanto, porque não aceitamos a sua falta pura e simples, optamos por um substituto. É esta insistência nos sucedâneos e, receio bem, a nossa satisfação com eles, que constitui a essência do que chamamos civilização. ”


"O Sucedâneo", William Morris, 1884


Encontrei o livro por acaso na feira do livro este ano – nem sequer sabia que os discursos do William Morris tinham sido publicados. O livro chama-se “Artes Menores” mas este é apenas o título do primeiro discurso – seguem-se muitos mais, sobre as tais “artes menores” (leia-se cerâmica, tecelagem, cestaria, marcenaria, etc), a sua importância e o seu declínio, a sociedade de consumo em finais do séc XIX (onde estranhamente as queixas continuam a ser as mesmas) e alguns discursos que para mim já entram demasiado no universo hippie sobre sociedades utópicas (há também uma espécie de ódio de estimação pela ciência que não deixa de ser caricato).

Dito isto, dou por mim a ler o livro e a encontrar demasiadas semelhanças com muitas das questões com que me debato diariamente e que me deixam a pensar. Quando a semana passada se falou desta história (que não é a primeira nem a última sobre estes tipos de ocorrências), as palavras do William Morris vieram-me à cabeça.

Entretanto, a foto foi tirada há uns meses (naqueles onde ainda chovia e onde ninguém acreditaria que o Verão vinha aí), duas ruas acima da minha num terreno que está abandonado.





sexta-feira, 27 de maio de 2016





Começar a fiar com a roda não foi propriamente fácil. Primeiro, a minha roda não é nova por isso houve toda uma série de factores adicionais que tive que lidar – há partes que estão ferrugentas (mas que ainda funcionam e isto é uma coisa boa da Ashford, porque nestes casos podemos sempre encomendar o kit de reparação) e estava muito perra. 

Portanto os dois primeiros dias foi a tentar pô-la a rodar “decentemente”. Os dois seguintes foram a afinar o processo, a perceber como é que funcionava (obrigado youtube, livros e artigos que tenho espalhados pela sala), perceber o que estava demasiado laço, o que estava demasiado apertado e começar.

A parte boa é que no final da semana tinha conseguido fiar uma bobine inteira e tenho outra em vias de ficar cheia. No final vou torcer o fio e ver com o que fico.

Por enquanto o meu fio é muito irregular, o que não me espanta nada visto que na minha cabeça por esta altura nem ia conseguir fiar. Em parte o irregular tem a ver com a minha incapacidade de manter um movimento contínuo na roda e em parte porque ainda tenho tendência de agarrar a lã com demasiada força, não permitindo assim que esta “flua” com maior facilidade.

Simultaneamente, tenho um fio demasiado torcido.


Tudo coisas pequenas que quero melhorar e que só lá vão com o tempo e com a experiência. Como disse, não tenho pressa (:


quarta-feira, 25 de maio de 2016






Em Maio de 1988 saiu um artigo na National Geographic dedicado à lã. O artigo em si pode não ser o mais actualizado (até porque já tem 28 anos) mas não deixa de ser intemporal – fala-se das propriedades, dos primeiros anos da industria em Inglaterra, da sua utilização pelas tribos nómadas e da sua importância ao longo dos séculos, em diferentes zonas do mundo. Muitas das coisas já as li noutros sítios, mas não deixa de ser um artigo interessante se tiverem oportunidade de o ler.

Claro que tanto as fotografias como as ilustrações muito ao estilo daquilo que me habituei a ver na national geographic são por si só uma boa razão para por as mãos neste artigo.

Entretanto encontrei esta publicação sobre o mesmo tema, se estiverem interessados em ver mais sobre o artigo.