domingo, 28 de dezembro de 2014

A roca / The distaff




Este ano ganhei uma roca no Natal.

Na altura em que o Miguel me perguntou o que queria para o Natal disse-lhe que queria uma roca – queria que ele me oferecesse uma roca porque faz parte o namorado oferecer a roca à namorada.
Na altura riu-se e disse que era impossível (as únicas rocas que vi à venda até hoje foi sempre no Minho). Entretanto falhei-lhe do site da Feira de Barcelos, um dos melhores projectos que vi nos últimos tempos mas o assunto ficou por ali e nunca mais pensei naquilo porque francamente não estava a pensar que fosse acontecer.

Eu que sigo afincadamente o blog vi que tinham feito uma roca e pensei “era mesmo esta!” mas nunca imaginei que afinal aquela roca fosse mesmo para mim. É simplesmente maravilhosa.



This year I’ve gotten a distaff.

By the time Miguel asked what I wanted for Christmas I told him I wanted a distaff since it is tradition that the boyfriend offers the distaff to the girlfriend.
At the time he laughed and told me that was impossible (the only distaffs we saw for sale were in Minho). Meanwhile I’ve told him about the website “Feira de Barcelos”, one of the coolest projects I’ve seen in a while however the subjected ended there and frankly I didn't thought about that anymore just because I couldn't see it happen.

Since I’m a big follower of their blog I actually saw they have made a distaff and thought “This is exactly what I need!” – little did I knew it was actually for me. It is simply amazing.





terça-feira, 23 de dezembro de 2014

No Natal / At Christmas



Este ano vai ser diferente por muitas e variadas razões contudo existem coisas que nunca mudam. É bom saber que no Natal é sempre assim: há coisas que são de sempre, e há coisas que são novidades.

Eu e estes bichinhos na minha cabeça desejamos-vos o melhor Natal de sempre!


This year will be different for all sorts of reasons however there are things that never change. It is good to know Christmas is like this: there are some things that remain and others are just new.


Me and these little friends in my head wish you the best Christmas ever!



Amarelo e Cinzento / Yellow and Grey




É um vício.

A partir do momento em que comecei a fazer projectos grandes os pequenos já me parecem relativamente aborrecidos.

Se antes fazer uma camisola era um pesadelo, agora é um vício.

Decidi arriscar um bocadinho mais e usar duas cores. Vamos lá ver o que saí daqui.

It’s an addiction.

From the moment I started making big projects the little ones start to seem boring to me.

A while ago making a blouse would be a nightmare and now is an addiction.


I have decided to take my chances with two colors. Let’s see how it will work.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Manchester



Olhando para trás, nem consigo contar a quantidade de gorros que já fiz com a Manchester da Tricot Brancal: foi a primeira lã que comprei para mim e volta e meia volto a usá-la.

Quando o Ricardo disse que não tinha gorro, ficou logo assente que seria a sua prenda de Natal.

Looking back I can’t count how many hats I’ve made with Manchester from Tricot Brancal: it was the first wool I’ve ever bought and every now and then I tend to use it once again.


When Ricardo said he had no hats for the winter I knew right away what I would make him for Christmas.




domingo, 21 de dezembro de 2014

Calcanhar de Aquiles / Achilles heel



Ainda não estou 100% fã da maneira como faço as meias – apesar das do ano passado continuarem aí para as curvas parece-me sempre que o calcanhar não é suficientemente resistente.

Encontrei este blogue com boas dicas para as meias. As próximas vêm diferentes.

A lã veio daqui no início deste ano.

I’m not 100% satisfied with the way I make socks – although the last year’s socks are still been worn I always feel the heel is not strong enough.


I found this great blog with good tips on how to make socks. The next ones will be different.

The wool came from here in the beggining of this year.





segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Na feira da Estrela / At the fair in Estrela






Há muito tempo que não passava pela feira da Estrela.

Já sei a quem vou pedir para me fazer os sapatos da próxima estação.

Acabei por comprar uma coisa que me fazia falta há muito tempo, uma agulha de crochet para o trapilho e para os trabalhos mais grossos. Vem daqui, foi feita manualmente e é em madeira. Vale a pena.

It’s been a while now since I’ve been at the fair in Estrela.

I’ve already know to whom will I ask for my new shoes next season.


I’ve ended up buying something I have needed for a while, a size 10.0 mm crochet needle for fabric yarn and the thicker works. It comes from here, it was made by hand and it’s in wood. So worth it.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Meias em Crochet /Crochet Socks



Se no outro dia falei em meias em tricot que me dão voltas àcabeça, as meias em crochet quase que as faço de olhos fechados. É uma coisa fácil de se fazer, não demora muito tempo e dá sempre jeito para andar descalça em casa.
Estas não são para mim (:

If the other day I’ve talked about how hard for me it is to knit socks. Crochet socks are quite easy to make for me: they don’t take a lot of time and are always handy to walk around the house.

These ones are not for me (:



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Acabar & Começar / End & Start




Acabei finalmente a gola que andava a fazer com lã fiada por mim. No meio disto tudo, há muita coisa a reter. Fiar manualmente e tricotar a seguir demora imenso tempo, e isso não é necessariamente mau – ensinou-me a ser paciente a esperar pelas coisas. Ensinou-me o valor das coisas que faço e a valorizar os materiais e todo o processo. Quem sabe, num futuro muuuuito distante uma blusa fiada por mim.
Uma coisa “engraçada” é que acabei por ter duas tonalidades de branco na mesma lã. Gostei.

Entretanto e com as prendas de Natal já feitas e embrulhadas) comecei a dedicar-me novamente às meias em tricot – quero melhorar a minha técnica e experimentar coisas novas.


I’ve finally finished the cowl I was making using wool handspun by me. In the middle of all this, there is plenty to keep in mind. Handspinning and then knitting afterwards takes a lot of time which is not necessarily bad – it has taught me to be patient, to wait for things. It has taught me the value of things, the value of materials and the value of all the process. Who knows, in a veeeeeeeery distant future I’ll knit a blouse spun by me.
A “funny” thing is that I ended up having two shades of white from the same wool. I liked it.

Meanwhile with the Christmas presents all wrapped up I’ve startet to knit socks again – I want to improve my technique and experiment new things.







terça-feira, 2 de dezembro de 2014

E de repente… / And all of a sudden…





… Já é Natal.

Uma das vantagens de vivermos um bocadinho mais afastados da cidade é a possibilidade de subir a rua e irmos buscar ramos aos pinheiros. Fiz coroas, enfeitei garrafas de vidro. Já temos árvore de natal e já há prendas escondidas aqui e ali.

Aqui, já é Natal.


… it’s Christmas.

One of the advantages of living a bit far away from the city is the possibility to just go up the street and grab some pine branches. I’ve made Christmas crowns, I’ve garnished some glass bottles. We made our Christmas tree and one can spot hidden presents here and there.


Here, it’s already Christmas.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Coser os fechos / Sewing the zippers.




Uma das coisas que sempre foi difícil para mim em termos de costura foi coser fechos. Ficavam sempre mal, tortos, e normalmente era uma dor de cabeça ter que os coser. Depois de ler o livro da Constança, aprendi umas boas dicas que meti à prova enquanto fazia este estojo e que efectivamente resultam. De repente, coser fechos já não é uma dor de cabeça.


One of the things I always found hard to do was to sew zippers. They always turned out bad, weird, and usually it was a headache to sew them. After reading Constança’s book, I’ve learned some very good tips about sewing zippers that I’ve decided to test while making this pencil case and it turned out to be very effective. Sewing zippers doesn’t seem so hard any more.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Experiências / Experiences




Ando a estampar sobre tecido, não com a técnica que aprendi aqui mas com os carimbos Agatha.

Nunca tinha estampado tecido com carimbos com medo que fica-se esquisito, mas agora até gosto.

Mais virão.

I’ve been stamping over fabric, not with the technique I’ve learned here but with the Agatha stamps (old scholar stamps from primary school).

I’ve never stamped fabric because I was afraid it would look weird, but so far so good – I like it.

More to come.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sobre sapatos e mantas / About shoes and blankets



Os sapatos foram comprados na sapataria do Sr. Jorge na Golegã, a manta veio da Casa das Mantas de Minde também na Golegã.
A visita a Ninhou ainda não aconteceu, mas não há-de faltar muito.
Quanto às carneiras, tinha imaginado o que queria exactamente na minha cabeça e acabei por as encontrar aqui. 

The shoes came from an amazing shoeshope owned by Sr. Jorge in Golegã, and the blanket is from the shop “Casas das Mantas de Minde”, also in Golegã.
My trip to Ninhou (the word for Minde in the minderic vocabulary) hasn’t happened yet but it’ll probably happen soon.

Concerning the shoes (called carneiras) they are just like I would like them to be and I was very glad to find them here.


domingo, 16 de novembro de 2014

Golegã








Foi a primeira vez que fui à Golegã, com ou sem feira, e é-me difícil descrever o quanto gostei.
Gostei de lá ir e certamente irei lá voltar.
Perdi-me a ver as pessoas que passavam e os cavalos. Perdi-me a ver os campinos. Comi bem, bebi melhor.
Voltei mais que satisfeita.



It was my first time in Golegã , with or without the fair, and it is hard for me to describe how much I loved it.
I really like going there and I will come back for sure.
I lost myself watching the people passing by, the horses. I’ve lost myself watching the campinos. I’ve eaten well, and drank better.

I’ve come back more than satisfied.



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Kireei n.6






É das minhas revistas favoritas e ainda que tenha demorado imenso tempo a chegar, no final não fez mal.

O tema desta Kireei é a casa e a cidade e estou mais uma vez bastante satisfeita – da capa ao conteúdo, é fácil perceber o cuidado que é dado a cada revista. Para mim, pontuação máxima.

It is one of my favorite magazines and although it took a lot time to get here, in the end I couldn’t care.


The theme of this Kireei magazine is the house and the city and I couldn’t be more satisfied – from the cover to its content, it’s easy to understand the care given to each magazine. To me, it deservers maximum points.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Avô Cortiço


Avo Cortico from Cortico & Netos on Vimeo.

É a história do avô Cortiço, mas a mim fez-me lembrar partes da história do meu avô Armando. Acho que se iam dar bem.

Para mim a Cortiço & Netos é uma empresa promissora, com uma história que promete não ficar por aqui.



It is the story of grandpa Cortiço but it reminds me very much my grandpa Armando.I think they would get along very well.


For me Cortiço & Netos is a very promising company with a very promising future.

[there are subtitles in English in the video]



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Museu de Arte Popular - ou o que resta



Em 2000 iniciaram-se obras de requalificação do museu que tinha entrado em decadência e que levariam ao encerramento do espaço em 2003. Em 2006, a então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, anunciou que o MAP iria ser transformado em Museu da Língua Portuguesa. No entanto, nem todos gostaram da notícia. Foi iniciado então um movimento pela reabertura do MAP, que incluiu a criação de um blogue e de uma petição online que reuniu mais de 3.000 assinaturas. O crítico de arte Alexandre Pomar, a empresária Catarina Portas, a artesã Rosa Pomar, a historiadora Raquel Henriques da Silva e a artista plástica Joana Vasconcelos foram algumas das caras desta campanha que levou a uma mudança de planos. Em Dezembro, a nova ministra, Gabriela Canavilhas, anunciou que o museu "é para se manter tal como estava, […] dedicado à arte popular portuguesa".

Segundo a arquiteta Andreia Galvão, diretora do museu desde 2010, "Mal amado e incompreendido, o museu foi abandonado, mas isso acabou por ser uma vantagem, porque se manteve praticamente intacto. É, ele próprio, um objecto museográfico, representativo da sua época".

Uma espécie de desistência colectiva – é o que eu sinto sobre o museu de arte popular.

Já me tinham avisado e já tinha lido sobre isto mas queria ver com os meus próprios olhos – e foi o que aconteceu, e foi pior do que aquilo que estava a espera.

A cafetaria está fechada. A exposição permanente está na cave do museu de etnografia, e a exposição temporária que lá está … digamos que é uma boa forma de perceber que o que está a acontecer, está a acontecer propositadamente.

A verdade é que mal se entra percebe-se que o museu de arte popular está para fechar, o que me dá um aperto gigante no coração.

Para quem não sabe, o museu de arte popular veio da grande exposição do mundo português que aconteceu em 1940 e talvez seja isso que aos poucos vai ditando o seu fim – a sua associação ao estado novo que parece que hoje em dia ainda é um fantasma que assombra a cabeça de muita gente.
Acho que o problema do museu é que se vê nele esta associação e não o seu tremendo potencial em ser aquilo que devia ser – um museu dedicado ao folclore, à arte e aos ofícios de um povo que hoje em dia é cada vez mais valorizado e que poderia de alguma forma ser um ícone de referência e não o está a ser.

O que eu não percebo, o que eu não percebo mesmo é porque razão uma cidade que se virou assumidamente toda para um turismo baseado na sua cultura popular vê o único espaço que poderia dar o devido valor a esta cultura ser assumidamente e propositadamente desperdiçado. Ou será a nossa cultura só bigodes, pastéis de nata e sardinhas?

Choca-me a opinião da arquitecta Andreia Galvão que encontrei na wikipédia –choca-me que alguém à frente de um museu consiga ser tão obtuso ao ponto de desistir publicamente do seu trabalho quando eu lhe arranjava tanto uso (cursos e workshops,  parcerias com museus locais para divulgação do seu espólio, ciclos de conferências, exposições com artesãos, concertos no museu, abrir a cafetaria e uma boa esplanada… ai se estivesse nas minhas mãos!)


É completamente incompreensível dizer que o museu de arte popular não tem futuro e que a luta travada à tão poucos anos se demonstrou inglória.  


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

The granny tote




Com o passar do tempo apercebi-me que não cheguei a pôr aqui a tote bag que fiz para o Verão.
Foi a segunda vez que trabalhei com pele para fazer as alças e realmente é muito prático e fácil de usar.

A mala em si aguentou chuva, sol, praia, montanha, festivais e continuará a aguentar muito mais - para mim é impressionante a qualidade destes tecidos, que sem forro nem nada conseguem ser tão resistentes tais como estão.

I’ve now realized I haven’t shown here the tote bag I’ve made last Summer.
It was the second time I’ve worked with leather to make the straps and it really is quite practical and easy to use.


The tote itself managed rain, sun, beach, mountain, festivals and it will manage many more – for me it is impressive the quality of these fabrics that without an inside cover can be so resistant just has they are. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Luvas poveiras/ Mittens Poveiras




Há algum tempo que namoro os padrões do traje poveiro.

Enquanto procurava ideias para estas luvas lembrei-me que podia tentar uma coisa nova e experimentar bordar por cima do tricot.

Entretanto encontrei este blog e esta reportagem. Vale a pena ver.

Para além disso, experimentei uma maneira de fechar as luvas que fazem lembrar o estilo nórdico, mais pontiagudo. Gostei.



I have been in love with the patterns from the poveiro costume for a while now.

While I was searching for ideas for these gloves I thought I could try something new and try to embroider over knitting.

Meanwhile I found this blog and this article. Both of them are worth seeing.


Other than that I’ve tried a new way to close the mittens that reminds me very much of the Nordic style, pointier. I liked it.




sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Da empreita / About braiding palm





Uma semana depois e com muito pouco tempo para dedicar a isto, o meu entrançar vai mais rápido. Ainda não me aventurei novamente a começar de novo e já tenho muitas ideias na cabeça de variantes e de coisas que quero experimentar fazer.

O problema? Achar as agulhas para coser a palma em Lisboa e a própria palma em si.
Tudo se há-de resolver.


A week later and with very few time to dedicate to this project, my braiding is going quicker. I didn’t adventured myself to start a new braid again but my head is filled with ideas and variants I want to try.

The problem? It is not easy to find the sewing needle for the palm here in Lisbon, neither the palm itself.

Well I guess everything will sort itself out.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Tingir/ Dye





Era um bichinho que me andava a roer atrás da orelha, este de tingir a lã com produtos naturais.
Mesmo com a ajuda da Filipa (obrigada!) não consegui fazer grandes aventuras e comecei por aquilo que tenho visto ser mais básico – cebolas e vinagre.

Portanto foi mais ou menos assim: fervi muitas cascas das cebolas que trouxemos do Minho em Agosto (sim, ainda temos e normalmente duram até ao Natal!) e deixei um bocadinho a arrefecer, para não feltrar. Adicionei o vinagre ao tacho e coloquei a lã. Ficou lá cerca de dez minutos e depois passei a mistura para um frasquinho de vidro e lá ficou durante meia hora.

Passado o tempo, lavei com água fria e sabão e a tinta não saiu!

Não é propriamente a cor que queria (o tom mais escuro da água das cebolas era lindo) mas também sei que tudo depende de tempos, quantidades de mordentes e tipos de mordentes que podem dar resultados diferentes. Para mim, o que interessa é que experimentei e que correu bem melhor que aquilo que esperava. Agora é continuar.

It was something I have wanted to do for a while, to dye wool with natural products.
Even with the help of Filipa (thank you so much!) I couldn’t adventure myself so I started with the basic – onions and vinegar.

The process was something like this: I’ve boiled some peels of onions in water that I’ve brought from Minho (yes, I still have onions from August and they often last until Christmas!) and I let it cool a bit so it doesn’t felt. I’ve added vinegar to the pan and I’ve put the wool inside. It stayed there for about 10 minutes and then I’ve past part of the mixture and the wool to a small glass for 30 minutes.

After a while I’ve washed it with cold water and soap and the coloring stayed!


It wasn’t exactly the color I wanted (the darker tone of the onion’s water was beautiful) but I know that it also depends on times, additive and types of additives that can provide different colors. For me, what really matters is that I’ve gave it a try and that it went better than I expected. Now I just need to keep on doing it. 


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O fuso da roda / The spindle of the spinning wheel





O Sr. António Mestre vive numa aldeia do concelho de Alcoutim e durante muito tempo tomou conta do museu etnográfico da aldeia. Com um vasto conhecimento em diferentes técnicas artesãs, agrícolas e não só do concelho o Sr. António escreveu um livro e é uma fonte de conhecimento enorme, com uma simpatia ainda maior.

Foram os meus pais que primeiro falaram com ele enquanto faziam a via algarviana e deram-me o contacto. Quando lhe disseram que me interessava pelas questões da lã e do processo manual o Sr. António deu-lhes este fuso, muito característico das rodas do Baixo Alentejo & Algarve que vi pela primeira vez aqui. Quando vi o fuso nem queria acreditar – parece que nos próximos tempos vou construir a minha roda, com base no modelo que mais me apaixona.

A viagem ao Algarve não serviu só para ir aprender a trabalhar a palma, mas também para conhecer pessoalmente o Sr. António que tanta paciência tem tido comigo. Há coisas que parecem caídas do céu.

Mr. António Mestre lives in a village in Alcoutim and for many years was charged of the ethnographic museum of his village. With a vast knowledge in different craftsmanships, agricultural and other traditional techniques of Alcoutim, Mr. António wrote a book about it and his huge knowledge can only be equaled by its sympathy.

My parents were the ones that first came to know him while they were doing the Algarviana route and gave me his contact. When they’ve told him I was very interested in wool and its manual process Mr. António gave them this spindle, very characteristic of the spinning wheels from Baixo Alentejo & Algarve that I’ve seen for the first time here. When I saw the spindle I couldn’t believe my eyes – it looks like I’m going to be busy in the next times building my own spinning wheel, based on a model that I’ve come to love so much.


The trip to Algarve not only served to know how to work with palm but also to personally know Mr.António that has been so patient with me. Sometimes there are some things that almost look like they fell from the sky.





segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Empreita






“Os entrançadados e entrelaçados de fibras vegetais, nascidos da necessidade a acondicionar, transportar e conservar bens alimentares, seguem, no território português, uma complexa tecnologia, existente há mais de 4000 anos, na utilização de matérias vegetais tão diversas como a cana, o vime, o salgueiro, a palma, o esparto, a oliveira, o junco, a palha, a folha de centeio, o piorno, o castanho, a acácia ou a silva (PERDIGÃO, 2001:149-193).

A empreita especialmente, por fazer uso da palmeira anã, planta autóctone, característica do Barrosal e Serra, é seguramente um dos elementos identificadores da cultura material algarvia.”

“Empreita e Cestaria – Entrançados de palma, verga e cana do Algarve”; Catarina Oliveira; TASA – Técnicas Ancestrais Soluções Actuai; CCDRAlgarve


O workshop foi em Loulé, dado pela dona Cremilde no âmbito do projecto TASA e do projecto Proactiv Tour (ambos valem mesmo a pena conhecer melhor).

A dona Cremilde viveu toda a vida numa aldeia do concelho de Loulé, e aos 45 anos decidiu mudar de vida e foi aprender a fazer a empreita, o que lhe deu a capacidade de seguir um trabalho criativo, onde cada peça tem uma origem única da sua imaginação.

O workshop era para ter acontecido no pátio da sua casa, mas com o mau tempo que esteve no fim-de-semana acabámos por aprender sobre a empreita no pólo museológico dos frutos secos.

Aprendemos uma série de técnicas das quais apenas consegui fazer “bem” a da empreita de 9 pontas. Para além da técnica, aprendemos a reconhecer a palma e a prepará-la para a empreita. Pequenas dicas e técnicas que fazem toda a diferença, e que me deixaram com vontade de nunca sair dali.

Perguntaram-me se estava a pensar fazer destas técnicas que vou aprendendo ofício. Suspirei e tive que dizer que por enquanto não – por enquanto é motores e aviões. Por enquanto.

Se querem saber mais sobre o projecto TASA /Proactiv tour vejam aqui

Se querem saber mais sobre a empreita e outras técnicas, ofícios e artesãos do Algarve recomendo vivamente este livro.


“ Born of the need to store, transport and preserve food items, in the Portuguese territory the weaving and braiding of natural fibers follows a complex technology that has existed for over 4000 years and uses plant materials as diverse as cane, reed, osier, palm, esparto, olive branches, rush, straw, rye leaf, broom, chestnut wood, acacia wood or bramble. (PERDIGÃO, 2001:149-193).

Empreita in particular, because it uses dwarf palm, an indigenous plant characteristic of the Barrocal and the Serra (mountain range), is without a doubt one of the identifying elements of the Algarve’s material culture.“

Empreita e Cestaria – Entrançados de palma, verga e cana do Algarve”; Catarina Oliveira; TASA – Técnicas Ancestrais Soluções Actuai; CCDRAlgarve


The workshop was in Loulé, our teacher was Mrs. Cremilde and the project behind this initiative was TASA and Proactive Tour (both of the projects are amazing and well worth knowing).

Mrs. Cremilde has lived all of her life in a village of Loulé, and when she was 45 years she decided she wanted to change her life and learned a new craftsmanship – braided weaved baskets. This gave her the opportunity to have a creative work in which every piece is original and came for her imagination.

The workshop was supposed to take place at the backyard of her house but the weather was rainy so we had to have in the Dry Fruits Museum.

We’ve learned a lot of techniques from which the only one I can properly do is the one which has 9 ends. Other than the actual technique, we’ve learned how to recognize the palm tree, how to catch palm, prepare it and use it in the empreita technique. We’ve learned little tips and things that make all the difference and made me want never to leave.

Someone asked me there if I was going to apply all my knowledge in all the techniques I’ve learned in the past years in a job in the matter. I sighed and had to say unfortunately not for now. For now my job involves engines and airplanes. For now.

If you want to know more about TASA and Proactive Tour see here and here


If you want to know more about this and other traditional techniques and crafters of Algarve I stroungly recommend this book (the book is in english and portuguese)





quinta-feira, 9 de outubro de 2014

WIP






É o que me tem ocupado a maior parte do tempo e suspeito que me ocupará durante muito mais. É lã da Serra da Estrela, veio daqui e está-me a dar um gozo enorme trabalhar com ela (é igual à que trabalhei o ano passado, mas mais grossa).


It’s been keeping most of my time and I suspect it will keep much more of it. It’s wool from Serra da Estrela, it came from here and it’s giving me great satisfaction to work with it (it is the same wool I’ve worked last year, but thicker).

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Cobertor




Depois de um fim-de-semana rodeada de churras e de cobertores de papa mal vi que este novo fio da retrosaria tinha saído na sexta-feira tive que lá ir – e posso dizer que fiquei mais do que surpreendida pela positiva.

O fio tem um toque áspero, mas de alguma forma acho-o mais agradável do que muitos fios que já toquei. Adoro a sua versatilidade e o facto de ser um fio mais grosso do que costumo usar.

É capaz de se ter tornado um dos meus fios favoritos não só pelo seu valor cultural mas também porque é verdadeiramente versátil e dá resultados incríveis.

Já tinha em mente o que queria fazer: [mais] um par de luvas que não era para ser para mim mas que agora me deixa com uma séria vontade de ficar com ele. Também experimentei fazer entrançado pela primeira vez e realmente com algumas dicas é mais fácil do que parece.

Estive para as cardar, mas fiz uma amostra e cardadas perdem o efeito da trança portanto optei por não o fazer (mas se trabalharem em meia e liga aconselho a fazer que o resultado é excelente).

After a weekend surrounded by "churra" sheeps and “papa” blankets I could help to go and buy this new wool from Retrosaria – and I can safely say I was pleasantly surprised.

The wool has a rough touch but somehow I find it more pleasant that many wools I’ve touched. I love the versatility and the fact that it’s thicker than the ones I’m used to use.

It may well be one of my favorite wools not only because of its cultural value but also because it is truly versatile and gives the most incredible results.

I already had in mind what I wanted to do with it: one [more] pair of mittens which were not supposed to be for me but now I’m starting to want them for myself. I’ve also experimented with knitting braids for the first time and with some tricks it can be really easy.


I was going to card them but in the end I’ve made a carded sample and the braid effect would vanish in the carded part so I’ve not made it to the mittens (but if you’re only working with knit and purl I strongly recommend it because the final result is really cool.



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Fiar e tricotar / To spin and to knit




Foram as primeiras luvas que fiz com lã fiada e tratada por mim.

Não são para mim e são para ser usadas naqueles dias frios em que se está ao computador, com as mãos a pedirem agasalho. Estás já estão terminadas e só falta rematar as pontas.

These were the first mittens I’ve made with the wool I’ve spun and processed all by myself.


These are not for me and are meant to be used on those cold days when you are at the computer and your hands are begging for some warm. These ones are finished and only need the final cast off.