segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Museu de Arte Popular - ou o que resta



Em 2000 iniciaram-se obras de requalificação do museu que tinha entrado em decadência e que levariam ao encerramento do espaço em 2003. Em 2006, a então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, anunciou que o MAP iria ser transformado em Museu da Língua Portuguesa. No entanto, nem todos gostaram da notícia. Foi iniciado então um movimento pela reabertura do MAP, que incluiu a criação de um blogue e de uma petição online que reuniu mais de 3.000 assinaturas. O crítico de arte Alexandre Pomar, a empresária Catarina Portas, a artesã Rosa Pomar, a historiadora Raquel Henriques da Silva e a artista plástica Joana Vasconcelos foram algumas das caras desta campanha que levou a uma mudança de planos. Em Dezembro, a nova ministra, Gabriela Canavilhas, anunciou que o museu "é para se manter tal como estava, […] dedicado à arte popular portuguesa".

Segundo a arquiteta Andreia Galvão, diretora do museu desde 2010, "Mal amado e incompreendido, o museu foi abandonado, mas isso acabou por ser uma vantagem, porque se manteve praticamente intacto. É, ele próprio, um objecto museográfico, representativo da sua época".

Uma espécie de desistência colectiva – é o que eu sinto sobre o museu de arte popular.

Já me tinham avisado e já tinha lido sobre isto mas queria ver com os meus próprios olhos – e foi o que aconteceu, e foi pior do que aquilo que estava a espera.

A cafetaria está fechada. A exposição permanente está na cave do museu de etnografia, e a exposição temporária que lá está … digamos que é uma boa forma de perceber que o que está a acontecer, está a acontecer propositadamente.

A verdade é que mal se entra percebe-se que o museu de arte popular está para fechar, o que me dá um aperto gigante no coração.

Para quem não sabe, o museu de arte popular veio da grande exposição do mundo português que aconteceu em 1940 e talvez seja isso que aos poucos vai ditando o seu fim – a sua associação ao estado novo que parece que hoje em dia ainda é um fantasma que assombra a cabeça de muita gente.
Acho que o problema do museu é que se vê nele esta associação e não o seu tremendo potencial em ser aquilo que devia ser – um museu dedicado ao folclore, à arte e aos ofícios de um povo que hoje em dia é cada vez mais valorizado e que poderia de alguma forma ser um ícone de referência e não o está a ser.

O que eu não percebo, o que eu não percebo mesmo é porque razão uma cidade que se virou assumidamente toda para um turismo baseado na sua cultura popular vê o único espaço que poderia dar o devido valor a esta cultura ser assumidamente e propositadamente desperdiçado. Ou será a nossa cultura só bigodes, pastéis de nata e sardinhas?

Choca-me a opinião da arquitecta Andreia Galvão que encontrei na wikipédia –choca-me que alguém à frente de um museu consiga ser tão obtuso ao ponto de desistir publicamente do seu trabalho quando eu lhe arranjava tanto uso (cursos e workshops,  parcerias com museus locais para divulgação do seu espólio, ciclos de conferências, exposições com artesãos, concertos no museu, abrir a cafetaria e uma boa esplanada… ai se estivesse nas minhas mãos!)


É completamente incompreensível dizer que o museu de arte popular não tem futuro e que a luta travada à tão poucos anos se demonstrou inglória.  


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