quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre uma loja de lãs em Granada / About a wool shop in Granada




Esta es una empresa muy antigua que ha ido pasando de generación en generación durante muchos años. En sus inicios, se dedicaba  a la hilatura de seda  y a la fabricación de tejidos de seda. Debido a que la producción de seda fue decayendo con el paso de los años, en 1790 decidimos pasarnos a la hilatura de la lana, teniendo fábrica de hilados y tejidos durante doscientos años. Debido nuevamente al decaimiento de la artesanía textil, nos vimos obligados a cerrar la fábrica de hilaturas en el año 1994.

La actual actividad de Hilados Luque se reorienta en 1995, desde entonces nos dedicamos a la venta y distribución de hilados de lana, algodón, yute, perle egipcio y otros tipos de fibras.


[LINK]


Foi no primeiro dia em Granada que passei à porta desta loja, mas só no penúltimo é que lá entrei – e ainda bem que entrei porque sem saber como acabei por ir parar numa daquelas que facilmente é das melhores lojas de fios onde já estive.

Para mim não há nada melhor do que perguntar que lãs são 100% lã pura e a resposta ser “são todas, menos essas aí que têm mistura (nem meia dúzia) ”. Portanto imaginem uma loja cheia do chão ao tecto de lã 100% natural que vem de ovelhas criadas neste país e que é igualmente por lá processada e lá vendida.

E a variedade – havia fios de todas as espessuras e inclusive fios como nunca tinha visto, com cerca de 1 cm de espessura bem como uma brutal variedade de cores.

Uma outra coisa que facilmente me cativou foi a história de toda esta família sempre ligada à indústria têxtil e com um vinco tão forte à própria história de Granada – ainda que a família já não produza fio continua inteiramente ligada a esta indústria.

Num mundo onde as aparências contam cada vez mais foi reconfortante entrar numa loja simples e honesta onde a qualidade e a diversidade são o que mais importa.

Se por lá passarem vale a pena visitar. E provavelmente pode acontecer-vos o mesmo que me aconteceu a mim, que foi difícil sair de lá só com uma meada (as meadas têm cerca de 500 gr).



I saw this store on my first day in Granada but only got in on the last days – and it was a good thing I got in since this is by far one of the best wool stores I’ve ever been.

For me there is little better than asking which wool is 100 % pure wool and get the answer that they are all 100% pure wool except maybe half a dozen of types of skeins. So imagine a store filled from top to bottom of 100% pure wool that came from the sheeps of that country being processed and sold there.

And the variety – there was wool with so many different thicknesses (even some that were 1 cm thick) and a huge variety of colors.

Another thing that really captivates me was the whole history of this family always connected to the textile industry with such a strong relation with the history of Granada itself – and even though the family does not produce fiber anymore they are still related to this industry.

In a world were appearances count so much it is reassuring to just get into a store simple and honest were quality and diversity are what matters.


If you happen to pass there it really is worth the visit. And most likely it will be hard to leave with just one skein (the skeins have 500 grs) like it happened to me.






terça-feira, 29 de setembro de 2015

Museu da chapelaria / Millinery Museum











Em São João da Madeira, onde ainda hoje existe uma forte componente industrial no fabrico de chapéus, ficava uma das maiores fábricas que está actualmente convertida em museu.

Para além de ser uma excelente mostra de património arqueológico industrial o que mais me fascinou foi todo o processo de feltragem e enformação da fibra (lã, pêlo de coelho e até pêlo de castor) sobre o qual conhecia muito pouco ou nada (a maioria dos museus que visitei de industria têxtil debruçam-se mais sobre a transformação da lã para o fabrico de fio). Tanto a colecção em si como o espaço estão bem organizados e todo o processo é percetível, o que para mim é das coisas mais importantes. Há ainda uma exposição temporária.

Em nota de rodapé, fica a sugestão de fazer os circuitos do turismo industrial. Ainda não tive oportunidade de fazer, mas acreditem que está na lista.


In São João da Madeira, where there is still today a strong influence of the hat making industry, there was one of the biggest factories which was converted into a museum.

Other than the huge significant it has for the industrial archeological heritage what truly fascinated me here was the whole felting process (wool, rabbit hair and beaver hair) that I didn’t knew a lot about (in all the textile museums I’ve been the biggest part of the exhibition was mainly dedicated to the thread production). The collection itself and the space are well organized and above all the whole process is quite easy to understand, which for me is very important. There is also a temporary exhibition.

In a footnote I’ll suggest you’ll do the routes of industrial tourism. I haven’t had the chance to make them but thrust me, is on the list.




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Bienal de Cerveira











É certo que desde que vamos passar férias a Cerveira que não falhámos um ano de bienal e este não foi excepção.

A bienal para mim é um misto, há coisas que gosto muito, há coisas que não percebo, há coisas que a única coisa que me fazem é rir e há coisas que nem há palavras para descrever. Ainda assim houve algumas instalações/obras que me chamaram à atenção, principalmente as que se debruçavam sobre materiais de componente têxtil. Daqui por dois anos há mais (:



It is a certain thing that ever since I’ve started going to Cerveira for the holidays we don’t miss a year of the Bienal de Cerveira.

The exhibition is for me filled with mixed feelings: somethings I like a lot, others I don’t get, some only make me laugh and there are always some I can’t quite describe. Even so there were some pieces I really like and caught my eye, especially the ones that had some textile input into them. More in two years (:



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A arte de não fazer nada / The art of doing nothing









Não considero “não-fazer-nada” um desperdício de tempo. Foram 4/5 dias sem fazer grande coisa naquela pontinha do país onde tudo funciona na sua maneira especial. Desta vez não andei de um lado para o outro nem tinha uma lista de coisas para fazer/ver/visitar. E soube mesmo bem.




I don’t consider “doing-nothing” a waste of time. I’ve spent 4/5 days without doing nothing in that little corner of the country were everything works at its own special way. This time I wasn’t running from one place to the other nor did I had a list of things to do/see/visit. At it felt really good.




quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Córdoba: mesquita, filigrana e ZOCO / mosque, filigree and ZOCO











The Roman colony of Corduba, founded in 152 BC, became capital of Baetica province, covering most of today’s Andalucía. In 711 Córdoba fell to the Muslim invaders and soon became the Islamic capital on the Iberian Peninsula. It was here in 756 that Abd ar-Rahman I set himself up as emir of Al-Andalus.

Córdoba’s heyday came under Abd ar-Rahman III, who in 929 named himself caliph to set the seal on Al-Andalus’ independence of the Abbasid caliphs in Baghdad. Córdoba was then the biggest city in Western Europe and it had dazzling mosques, libraries, observatories and aqueducts, a university and highly skilled artisans in leather, metal, textiles and glazed tiles. Abd ar-Rahman III’s multicultural court was frequented by Jewish, Arab and Christian scholars, even if Córdoba was certainly not the fabulously tolerant paradise that’s sometimes imagined




Córdoba é especial. Para mim ficou o ZOCO, um mercado artesanal mesmo no bairro judeu, a mesquita claro está e a filigrana que agora anda comigo todos os dias (não resisti a uma pulseira de prata que vi).
Ainda, ver este e este artigo.

Córdoba foi também a última paragem na Andaluzia.

Córdoba is special. For me the greatest things were the ZOCO, an artesian market right in the Jewish neighborhood and the filigree which is with me every day now (couldn’t resist buying a silver bracelet).
Also, see this and this articles.

Cordoba was also our last stop in the Andalusia.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Ronda & Cueva del Gato







Ronda não foi dos primeiros destinos onde quis passar mas que depressa convenceu quando comecei a fazer algumas pesquisas sobre a Andaluzia. Gostei de Ronda, mas com mais de 30 graus o que eu gostei mais foi da Cueva del Gato, um local escondido mas que vale mesmo a pena encontrar – água muito fria, mas que soube muito bem e uma paisagem daquelas que contada ninguém acredita.


Ronda wasn’t one of our first destinations however it was one of those places that always showed up when I started searching for Andalucía and it quickly convinced us. I liked Ronda but my favorite place here was la Cueva del Gato, a hidden place truly worth the visit – really cold water perfect for a day with 30 degrees Celsius and a view that if told, nobody would believe.





terça-feira, 22 de setembro de 2015

Sobre Granada / About Granada












A primeira razão para termos iniciado esta viagem foi sem sombra de dúvida Granada. Depois de vermos este episódio, olhámos um para o outro e dissemos “Ok vamos para Granada”. São estas coisas simples da vida que funcionam.

Granada… De tudo o que vi, de tudo o que tanto gostei, Granada foi o que gostei mais. Muito pela fusão de culturas que ainda hoje se vive como aquela estranha sensação que aquilo-faz-tudo-sentido. E a comida. E a forte cultura artesanal. Claro que a sequência de boas experiências que lá tive influenciaram [muito] a minha opinião sobre Granada.

Granada tratou-nos bem. E nós ficámos a gostar dela, tal como ela é.



The first reason why we started this trip was without a doubt Granada. After watching this episode we look at each other and said “Ok let’s go to Granada”. These are the simple things in life that actually work.

Granada… From all that I saw and liked, Granada was the thing I liked the most. Mostly because of the cultural fusion that one can still experience there but also for that sensation of “this-all-makes-sense”. And the food. And the strong artesian culture. Of course all the nice experiences we had in Granada also helped [a lot] to my opinion about this city.


Granada was good to us. And I love it, just the way it is.



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Taracea








Ao longo dos dias fui-me apercebendo que é normal na zona história encontrar oficinas de portas abertas. Muitas de guitarras, mas igualmente muitas com artesãos a executarem peças com a técnica de taracea, basicamente uma técnica de embutimento de pequenas madeiras para formar padrões geométricos impressionantes.

Esta técnica é característica de Granada proveniente da sua forte influência islâmica. Passei bons bocados a falar sobre a taracea em duas oficinas e acima de tudo fiquei impressionada com os padrões que vi. Dentro do museu em Alhambra estão algumas peças do palácio Nazari onde se pode ver excelentes exemplos desta técnica.

Normalmente tenho o hábito de pesquisar sobre a cultura artesanal dos sítios para onde vou, mas esta passou-me completamente ao lado. Boas surpresas.



With the days passing by in Granada I started to realize that was usual to have workshops with doors wide open in the historical center of the city. A lot of them were guitar workshops but many were workshops/stores were people produced taracea products which is basically a wood inlaid technique were you use small pieces of wood to produce these wonderful geometric patterns.

This technique is very characteristic of Granada and comes from its strong Islamic influence. I spend some good times talking about taracea with some of the crafters and I was impressed with the patterns I saw. Inside the Alhambra museum there are some pieces from the Nazari palace where one can find some great examples of this technique.


Usually I have this habit to do some searching about the craft culture of the places where I go but this completely passed me and in the end it was a great surprise.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Cortinas Andaluzas






“Las persianas de esparto, también llamadas cortinas de esparto o cortinas andaluzas, son típicas del sur de la Península por la sencilla razón de que su principal función es proteger del calor. Las persianas de esparto también protegen de la lluvia pero soportan mejor el desgaste producido por la luz del sol que el producido por la lluvia.”




Tenho a maior admiração pelo esparto e pela sua multifuncionalidade: sapatos, cestas, mobília e até mesmo as persianas de esparto que vi em todas as cidades que passei.

É incrível como esta fibra consegue ter tantas aplicações e acima de tudo ser efectivamente eficaz em tudo aquilo que é feito com ela. Ainda mais incrível é esta capacidade que um povo tem de adaptar os recursos envolventes e conseguir adequá-los às condições do meio que os rodeia. Dá que pensar não é?

Num mundo onde cada vez mais nos debruçamos sobre questões de sustentabilidade por vezes as melhores soluções estão mesmo diante dos nossos olhos.

I have the greatest admiration for esparto and for its multifunctionality: from shoes to baskets, furniture and even blinds like these ones I saw in every city in Andalucia.

It is amazing how this fiber can have so many applications and still fulfill all the desired characteristics it should have. Even more incredible is this ability people have to adapt their surrounding resources and use them according to the environment conditions they have. It makes you think right?


In a world that is growing more and more concern with sustainability sometimes the simplest answers are right in front of us.