quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Lã reciclada / recycled wool






Não é propriamente um tema novo ou desconhecido. A verdade é que a reciclagem de lã durante o seu processo de fabrico é algo usual e que se utiliza muitas vezes para recuperar a lã, produzindo um produto de qualidade inferior mas apto para outras aplicações (por exemplo o reaproveitamento da lã para tapetes).

Foi no “curso de técnicas de lanifícios” que vi a primeira referência ao processo de reciclagem da lã. Na realidade mesmo já sobre a forma de fio, a lã pode ser reciclada.

Ao contrário do caso do algodão (onde facilmente se encontram novelos de algodão reciclado) para o caso da lã nunca tinha encontrado fio reciclado à venda. Até agora.

Este veio da ArtiModa, e eu gostei muito de trabalhar com ele. Certo que é áspero e que se nota que é um fio de mistura, mas não deixa de ser um fio grosso e resistente, fácil de trabalhar.

Enquanto trabalhava este fio, vieram-me muitas questões à cabeça, principalmente relacionadas com consumismo e sustentabilidade.

Vivemos numa sociedade excessivamente consumista (essa palavra grande, que todos gostamos muito de utilizar) e numa opinião muito pessoal não acredito que este seja um problema de fácil resolução e para o qual não existe apenas uma solução.
Uma destas possíveis soluções poderá inclusive por passar pela utilização destes “fios reciclados” na indústria têxtil. Pensando bem nisto, se esta é uma das indústrias que gera mais desperdícios porque não utilizar os desperdícios para criar novos produtos, fechando parcialmente o ciclo do produto? E não será esta uma alternativa economicamente mais fiável do que estar a produzir novas fibras? (estou mesmo a questionar porque não tenho informação suficiente para o afirmar)


Como disse, este fio em questão é bastante resistente e excelente para fazer roupa (p.e. camisolas, casacos, eu utilizei-o para outra coisa que falarei depois). Acredito que para esta questão do consumo excessivo não existe apenas uma solução. Mas talvez esta seja uma boa opção para contornar um problema cada vez mais emergente.

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It is not exactly a new nor an unknown theme. The truth is that recycling wool during its processing is something quite usual and applied very often to regain the produced wool, making a final thread with less quality but still good for other applications (for instance the recovery of wool to produce rugs).

It was in the book “curso de técnicas de lanificios” were I first found a reference to the recycling of wool which can be recycled in all stages, including when it is already a thread.
Unlike cotton (I can easily find recycled cotton to buy) I have never seen recycled wool for sale. Until now.

This one came from ArtiModa and I really enjoyed working with it. It is certain the wool is not as soft and that is not 100% wool but still it is a thick thread quite resistant and easy to work with.

While I was knitting with it a lot of questions came to my mind mostly regarding consumption and sustainability.

We live in a society which consumes a lot (consumption, that very big word everyone likes to use) and in a very personal opinion I don’t think this is an easy thing to solve and with only one solution.
One plausible solution may involve the use of these recycled threads in the textile industry. When I think about it, this is one of the industries that generate morewaste then why can’t we use this waste to make new products, partially closing the cycle? And is this a reliable alternative (financially speaking)?



Like I’ve said before this thread is quite resistant and excellent to make clothes (for example blouses, jackets, etc, I’ve used it to make another thing I’ll speak about in a while). I believe that for the matter of excessive consumption there isn’t just one solution but maybe this might just be a very good option to minimize such an emergent problem.






quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Tecelagem de Almalaguês / Almalaguês weaving




“A tecelagem de Almalaguês caracteriza-se por uma grande variedade de possibilidades decorativas colhidas em fontes muito diversas. (…) Com efeito, na década de sessenta, do século passado, ainda houve lugar para esta inovação extraordinária que consistiu em fazer cópias, ou melhor, em fazer, ao tear, adaptações dos motivos característicos dos tapetes de Arraiolos (…) De facto, como o “bordado” que caracteriza uma componente importante da tecelagem de Almalaguês corresponde ao levantamento (borboto) do fio segundo uma quadrícula implícita à trama do tecido, em que os fios “verticais” da teia, se contrapõem os fios “horizontais” propiciados pela lançadeira torna-se fácil transpor para o trabalho do tear qualquer desenho assente numa quadrícula. (…) A liberdade com que as tecedeiras organizam a decoração dos seus trabalhos, a partir de um alargado conjunto de desenhos – sempre em expansão – formando associações variadas, cuja expressão nem sempre coincide, exactamente, com a dimensão disponível, leva à necessidade de “cortar”, “esticar” ou “fazer encontros” entre os diversos elementos originando situações sempre novas.


Pires, Ana; “Tecelagem de Almalaguês: a bela desconhecida”; in “Fios: formas e memórias dos bordados, rendas e tecidos”; IEFP; 2009; pág 68 – 79



Há imenso tempo que andava atrás de uma peça em tecelagem de Almalaguês e na última viagem a Coimbra achei uma loja que tinha exactamente o que pretendida. O pano em si não é muito grande e o ponto disseram-me que se chama ponto de arroz. Eu adoro-o.



I have been wanting to get my hands on a piece weaved using the Almalaguês technique for a while now and in my last trip to Coimbra I found a store that had exactly what I wanted. The fabric is not  a very big piece but it is exactly what I wanted and the lady whom sold it told me the stitches are called “rice stitches”. I adore it.