quarta-feira, 23 de março de 2016






“Durante muitos séculos, Janeiro e Fevereiro simplesmente não existiam. Eram considerados uma “estação morta”, de descanso e regeneração, dias que nem valia a pena contar”


Isabel Minhós Martins; Bernardo P. Carvalho; “Um Ano Inteiro: agenda para explorar a natureza”; Planeta Tangerina; 2015

Janeiro e Fevereiro sempre foram os meses do ano que menos gosto. Passei os últimos dois meses à espera da chegada da Primavera, e que este Inverno acabasse. Enquanto Fevereiro não chegava ao fim aproveitei os bocadinhos que tive para fazer coisas que gosto, para as pessoas que gosto.


O que para mim foi mais desafiante foi pensar em dois padrões diferentes para conjugar as duas cores que já tinha usado e das quais ainda tinha bastante lã.


Estas seguiram para a Suíça. 


*Aparte: Este ano decidi voltar aos meus vícios de criança e ter um livro tipo aquele que me fartei de usar/ler/reler, mesmo que não fosse o ano certo. 



terça-feira, 15 de março de 2016

Maxtor





Há poucas editoras que sigo de perto e esta é uma delas.
Ainda tenho mais títulos debaixo de olho, mas estes já me deixam satisfeita
.
O “Talabarteria y zapateria rural” é seguramente o livro mais bonito e ”prático” de todos – tem imensas imagens, alguns tutoriais, e está extremamente bem escrito (se até eu consigo ler…). Tenho outro livro sobre o fabrico de sapatos (que ainda tenho que falar aqui um dia) mas este é o que para mim é mais prático e aquele que aconselharia para quem queira saber e não tenha com quem aprender. Em género de nota de rodapé, tenho achado muito difícil encontrar livros bons sobre o fabrico de sapatos. Existe uma edição bastante interessante em português sobre os sapatos de pau, mas de um ponto de vista mais etnográfico e menos focado no processo. De qualquer forma, acabo por ficar bem servida com re-edições como esta, visto que não se vê muitas coisas recentes sobre este tema.

O “Novo manual do saboeiro” é uma situação agridoce – sim, porque o livro é português, editado pela livraria editora de J. J. Bordalo e para mim faz-me um bocado confusão que não existam re-edições destas em Portugal e que tenha que encomendar de editoras aqui ao lado. O livro em si, é delicioso. Tenho a certeza que hoje em dia haverá melhores edições sobre o tema (este sim, é um tema que já se consegue achar muita coisa com facilidade) mas historicamente não deixa de ser interessante ver uma outra perspetiva do tema e dos materiais utilizados.

O “Manual del Cafetero” também é um verdadeiro achado. Basicamente descreve os equipamentos, os processos, dá-nos um bocadinho de história e está cheio de receitas para gelados, bebidas quentes e frias, enfim tudo o que se precisa de saber sobre como ser um perfeito “cafetero”.


O “La sidra, La perada” foi mais por curiosidade do que propriamente porque tenciono produzir sidra. Trata-se de mais um manual técnico produtivo, com imensa informação sobre as árvores, modo de produção, doenças, como devem ser tratadas, etc (e esta parte sim interessa-me) e uma outra parte sobre os métodos de produção propriamente ditos.





domingo, 13 de março de 2016




Na altura disse que tinha comprado uma meada que gosteimuito em Granada, mas não cheguei a mostrar o que fiz com ela.

O modelo chama-se Speckled Shrug e é da Lion Brand. O modelo é gratuito, basta registar no site.
Sendo este daqueles “one size fits all” acho que ficou grande para mim. Serve, mas fica grande. Se o voltasse a fazer (e é mais certo que o faça, principalmente agora que estamos a entrar na Primavera e um igual em algodão sabia mesmo bem) acho que lhe vou tirar uns bons 5 – 7 cm de largura e mais uns quantos ao comprimento.

De qualquer forma, este “shrug” tem uma estrutura muito fácil de construir – fazer uma tira grande, coser lateralmente. Se estão a começar, este é um excelente projecto.


***


A while back I told you I bought a great yarn in Granada but I never got to show you what I did with it.

The model is called “Speckled Shrug” and it’s from Lion Brand. The pattern is free, you just need to register their website.
Since this is one of those “one size fits all” I thought it would fit well but I guess it is a bit large for me. It fits, but it is a bit large. I guess if I made it again ( and I’ll probably will, since Spring is starting and I would like to have one made in cotton) I would take 5 – 7 cm in the width and many more in the length.


Anyway, this “shrug” has a very easy structure – you make a large strip and you sew it on the sides. This is a great project if you are starting to knit.



quinta-feira, 10 de março de 2016

Fazer sapatos






Se o sapateiro tem de ser um artista, fácil se torna deduzir que precisa de uma instrução adequada afim de poder aplicar a intelligencia na produção das suas obras. O sapateiro, ou fabricante de calçado, tem de habilitar-se com os conhecimentos technicos necessários para desenvolver a sua capacidade intelectual, e assim, saber executar o seu trabalho com mestria. Enfim hoje como nunca, e como em todas as artes, a instrucção profissional impõe-se como base de todo e qualquer progresso”

In “Manual do sapateiro”; Carneiro, Decio ; rev. Carvalhal, Alfredo ; Bibliotheca de Instrucção Profissional; Lisboa

Era uma coisa que queria aprender há muito, muito tempo. A Ana Rita foi especialmente paciente connosco e excelente durante todo o dia. Aprendi imenso num só dia, não só a fazer / remendar sapatos mas também a saber escolhê-los, a mantê-los, a compreender as peles, para que servem, como se usam, onde se compram, etc.



No final ainda houve tempo para fazer um sapato. Está perfeito? Não. Mas serviu para compreender que, como se diz acima, é necessário desenvolver a nossa capacidade se queremos executar o trabalho com mestria. O próprio modelo que escolhi não é algo que me via a usar, mas decidi fazer o mais simples possível para que consiga compreender a técnica e se necessário aplicá-la. E se tudo correr bem, mais virão.



segunda-feira, 7 de março de 2016



“A tentativa de recuperar e reciclar matérias-primas, baixando custos de produção nas gamas têxteis de menor qualidade, foi uma tendência que se desenhou em Inglaterra em meados do século XIX e cuja rápida expansão assegurou a competitividade da indústria de Yorkshire nos mercados externos. Foram tais as repercussões desta inovação que o processamento de lã reciclada veio a suplantar o processamento de lã natural, na segunda metade do século XIX (Jenkins,1994, xxiv; Jenkins et Malin,1991:7374).

(…)

Em Portugal, onde a indústria está posicionada nas gamas baixas e médias de fabrico de tecido, a tecnologia de esfarrapar chega tardiamente, o que pode ser interpretado como um sintoma de inércia empresarial. Na década de 1880, apenas as fábricas de lanifícios de grandes dimensões, situadas em Alenquer, Covilhã e Portalegre, começam a processar sobras dos teares e restos de fios de lãs como uma actividade relativamente marginal, cujo objectivo é aproveitar os desperdícios gerados pelas economias de escala das empresas. No entanto, vemos sobretudo as oficinas que laboram no mercado dos tecidos mais grosseiros, localizadas em Castanheira de Pera, Padornelo e Vale de Piedade, a seguirem o mesmo caminho, embora por motivos diferentes: neste caso está em causa a possibilidade de laborar com matérias-primas baratas e assim baixar os custos de produção.

Nas vésperas da Segunda Grande Guerra, das 4050 toneladas de matéria-prima consumidas pela fiação de cardado nacional, 28% provêm já da reciclagem da lã.”


“História do Trabalho e das Ocupações, Vol. I A Indústria Têxtil”; Coordenação de Nuno Luís Madureira; Lisboa, Editorial Celta, 2001



Tem sido a minha leitura diária nos últimos tempos e está a funcionar como uma espécie de bíblia do têxtil.

Na minha ingenuidade a reciclagem dos lanifícios era uma coisa relativamente recente (meio/fim do séc. XX). É sempre bom saber mais daquilo que ainda sei tão pouco. O excerto é pequeno, mas serve bem para ilustrar uma realidade que me passou ao lado durante muito tempo.

Gosto particularmente da “mostra” de lãs que tenho aqui: ao centro, das primeiras que fiei. As duas do meio são de lã reciclada e a que está no exterior é proveniente de uma raça autóctone espanhola.


Depois de saber isto, já não é bem a mesma coisa não é verdade? Como ouvi num dos documentários que vi ultimamente (ando obcecada com documentários) depois de se saber a história/processo por detrás das coisas, cabe-nos a nós saber como vamos lidar e processar esta informação que recebemos. E dificilmente se volta atrás.