sexta-feira, 20 de maio de 2016




Há uns tempos atrás decidi que ia ser mais restrita nas minhas resoluções porque a situação já se estava tornar crítica – demasiados cursos, workshops, técnicas a aprender e muito pouco tempo para as exercitar – do que é que serve saber fazer n coisas diferentes, quando no final não tenho tempo para fazer nada?

Tenho um trabalho que me ocupa 5 dias por semana, a maioria das vezes chego a casa cansada e ainda com as tarefas diárias para fazer e comprometer-me com coisas que não consigo e só me iriam deixar frustrada não é para mim.

Portanto tomei a decisão – a partir daí só me ia dedicar ao tricot, ao crochet e à costura (esporadicamente), não como uma obrigação (leia-se, com demasiados projectos em mente e pouca probabilidade de os fazer em tempo útil) mas sim como algo que fazia com calma.

Com esta escolha de prioridades deixei a fiação de lado – não valia a pena estar-me a comprometer com isso se não tinha efectivamente tempo para avançar com as coisas. Além disso, com a quantidade de fios que entraram no mercado nos últimos anos e com os que já existiam estava bastante satisfeita com a oferta que havia e cheguei à conclusão que trabalhar fibras não me ia trazer nada de novo.

E pronto. Estava tudo bem. Até que o uma senhora me fez mudar radicalmente de decisão.

Na altura a M.J. ficou de me mandar fotos da roda sem compromisso mas a verdade é que passada uma semana já a tinha em casa.
  
Porque é que decidi investir numa roda de fiar?

A postura que sempre tive foi que não queria fazer dinheiro com qualquer uma das técnicas que faço por gosto (leia-se fiar, tricotar, crochet, costura, etc). Esta postura não mudou. Faço o que faço porque gosto de o fazer, porque é gratificante, porque é a minha maneira de lidar com a vida e por vezes isso é suficiente. Exposto isto, e porque é um investimento do qual não vou obter nenhum retorno monetário, podem compreender a minha preocupação em investir em algo assim.

Sei que da primeira vez que aprendi a fiar foi extremamente frustrante e que demorei quase dois anos a aperfeiçoar a técnica (que não é perfeita nem de longe nem de perto) e por isso já me mentalizei que aqui o processo será muito parecido. A partir de agora entrei em modo “respirar fundo, fazer com calma”.

Posto isto, a questão da roda prende-se pura e simplesmente porque sim: porque isto é um processo que me interessa e que quero verdadeiramente aprender e aperfeiçoar, porque fazer o meu próprio fio, misturar as minhas cores, criar novos padrões é algo que me interessa e por muito moroso que seja, ou por muito trabalhoso que seja isto é algo que quero saber fazer, e saber fazer bem.

Sim, sai mais caro adquirir uma roda em segunda mão do que passar meses a comprar fio. Sim, vou demorar anos a conseguir chegar ao nível que quero. Sim, as coisas vão demorar uma eternidade a chegar ao produto final.


Eu não tenho pressa.





3 comentários:

  1. É linda, uma Ashford Traditional, não é? Achoq ue vais ter mais facilidade a aprender desta vez - do fuso à roda é um passo bem mais pequeno do que se pensa.

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  2. Ah, eu adorava poder comprar uma roda! Mas ainda é um investimento, e preciso de juntar dinheiro para uma! Que bonita que é. vai partilhando a experiências com ela :)

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  3. :) é nessas alturas que penso "e porque não?".
    Cheguei à conclusão que quando é algo de que se gosta não se deve demorar muito a dizer que sim.
    Também tenho algo assim na minha lista de desejos, mas no meu caso acho que ainda vai demorar algum tempo até me meter nesta aventura.
    Boa sorte com a roda :) bjn

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