quarta-feira, 3 de maio de 2017





Quando os meus pais foram à Irlanda [há quase um ano] trouxeram-me lã do tipo aran. A minha mãe assegurou-me que tinha trazido o suficiente para uma camisola, mas conforme ia tricotando achava sempre que não era suficiente – acabei por comprar o bege para acrescentar e no final ainda me sobrou lã. Não me lembro a quantidade de vezes que comecei e desmanchei esta blusa. No final voltei ao básico dos básicos.


A minha técnica a fazer camisolas continua a ser muito muito fraca.





sábado, 29 de abril de 2017


Volta e meia e sem saber bem como acabo por encontrar coisas na internet que fazem o meu dia.

Numa daquelas sugestões do book depository apareceu-me este livro e talvez porque achei piada ao título fui ver sobre o que era. Fiquei convencida. Antes do livro chegar já tinha visto algumas apresentações do Matthew Crawford no youtube (por exemplo esta tedtalk) que recomendo vivamente.

O livro aborda vários temas, desde o desaparecimento da “educação tecnológica” das escolas - talvez um tema mais aplicado aos Estados Unidos mas a verdade é que quando estava no ensino básico tive educação tecnológica onde aprendi um pouco sobre eletricidade que me tem vindo a dar jeito e hoje em dia pelo menos na realidade que conheço a educação tecnológica já não existe.

Um outro tema que gostei de ver abordado é a falta de cuidado e preocupação em manter (no sentido de fazer manutenção) às coisas que possuímos e que nos rodeiam e como hoje em dia as coisas têm sempre um carácter descartável – como quando vamos por uma coisa a arranjar e nos dizem que fica mais barato comprar novo.

Sem dúvida é um livro a ler e que sugeria a toda a gente. Claro que há sempre tópicos com que não concordo mas gosto de livros que me metem a pensar e este é definitivamente um desses livros.

Ainda mais ou menos sobre o mesmo tema está o meu novo momento zen (uma série que vale mesmo a pena ver – com um aparte, o avental do Jay Blades deixa-me a roer de inveja) e fico contente de ver boas coisas a acontecer não só em Lisboa como noutros países.

Agora falando de uma coisa completamente diferente: as dores na cervical têm-me dado algum sossego e voltei a fazer novamente mais tricot – neste momento ando de roda de um par de meias para oferecer.





domingo, 26 de março de 2017



A ideia surgiu do trabalho da Danielle Clough que admiro bastante mas dei-lhe o meu twist - apesar de achara ideia das plantas maravilhosa estava a custar-me desperdiçar o “quadriculado” da raquete e não o usar para explorar padrões.
Comecei a bordar a raquete num domingo ao final da tarde, porque achava que ia acabar num estante. Erro. Foram quase duas semanas a bordar enquanto via séries.
Como devem calcular fiz isto para recuperar esta raquete do tio do Miguel que tínhamos cá em casa.


Falando d’outras coisas, fiquei mesmo contente por ler este artigo hoje especialmente quando li precisamente aquilo com que me debato várias vezes sobre o pão que vejo à venda: “ (…) se lermos o rótulo e virmos que estão lá mais do que quatro ingredientes, temos de perceber que alguma coisa não está certa”.



quarta-feira, 15 de março de 2017


Três camisolas.

Duas delas com mais de 20 anos (o mais provável é terem mais de 30) e uma mais recente.

Sobre o seu histórico: uma foi feita em Portugal (20% acrílico, 80% lã), a outra foi feita nas ilhas Maurícias, com uma etiqueta deliciosa em Francês (20% acrílico, 80% lã), a última é foi feita em casa, (100 % acrílico ou mistura também com uma grande percentagem de acrílico a julgar pelo fio porque não tenho a composição).
A cinzenta – feita em Portugal, comprada o ano passado.
A do meio – com mais de 20, 30 anos, feita nas ilhas Maurícias
A da direita – com mais de 20, 30 anos, feita em casa (já não me lembro se pela minha avó ou pela minha mãe).

Ao ler o livro da Safia Minney encontrei algumas coisas com que concordava, outras nem tanto. O livro tem uma série de entrevistas e numa delas falava-se da regra das 30 vezes que basicamente define que não devemos comprar uma coisa se achamos que não a vamos usar menos de 30 vezes – todas as camisolas já bateram de longe esse record.

Isto para dizer que não concordo com a regra das 30 vezes – a roupa tem que durar muito mais que isso.

Quanto à origem e composição, isso sim tento fazer uma escolha ponderada do que visto, como foi feito e que materiais levou (comprar uma blusa 80% lã para mim já é bastante aceitável, até porque ambas as blusas que têm esta composição não têm borbotos e não estão com sinais do tempo) mas acima de tudo tento apostar em peças que tenham qualidade mesmo que já tenham uns anos (a do meio era do meu pai e que uso aos fins-de-semana, e a da direita era da minha mãe – como 30% do meu roupeiro).



A questão de comprar bem, sustentável, ético, fair trade, etc é importante mas para mim não bate no ponto sensível que inevitavelmente é o que mais me choca – a quantidade de roupa que se compra e que se deita fora (este documentário mostra bem esta realidade). Sim, é importante comprar sustentável mas até que ponto é sustentável comprar muito (ainda que ético, fair trade, etc)?


Não estou a dizer que vivo num mundo perfeito e que faço tudo bem, mas cada vez mais me parece que é importante partilharmos as nossas experiências para que estes assuntos deixem de parecer uma coisa muito exótica e comecem a ser uma realidade. Não é difícil encontrar peças bem feitas, basta ser um bocadinho crítico e saber onde encontra-las. Também não é preciso comprar 10 camisolas a 10 euros por ano e torcer o nariz a uma de 50 porque é muito cara quando se fizermos as contas ao final do ano poupámos dinheiro e ficámos com uma peça mais durável.

Uma coisa que li e que concordo é que se vamos a olhar para todos os problemas ao mesmo tempo perdemos perspetiva e de repente como consumidores nada serve – um não é ético, o outro não é bio, o outro é fabricado em condições duvidosas… Para isso defini um conjunto de requisitos e a sua hierarquia e é isso que me leva a comprar – ou não – uma peça de roupa ou o que quer que seja.


A minha experiência nestes assuntos ainda não é muita, mas hoje em dia dou por mim a ler muita coisa, muitas opiniões e muitas perspetivas diferentes e desta vez partilhei a minha.


Quanto ao livro, apesar de não ter ficado na minha lista de favoritos acho que é interessante e que deve ser lido mais que não seja para concordar ou discordar e nos levar a querer saber mais e ser mais consciente como consumidor. Pelo menos a mim, foi isso que fez.

Caso este seja um assunto do vosso interesse recomendo vivamente este livro.



domingo, 12 de março de 2017



Este novelo (Se é que se pode chamar assim) apareceu cá em casa porque um amigo meu o comprou por engano no ebay (era para chegar um cobertor tipo os Ohhio mas chegou o novelo para o fazer)

A lã estava demasiado comprimida para fiar (tentei, sem resultados) o que me limitou um bocado as opções. Acabei por ir abrindo o fio (estou a explicar-me bem?) em pedaços cada vez mais finos que uni feltrando com uma agulha de feltrar e uma esponja. De um “novelo” grande e espesso acabei por ficar com vários novelos mais “finos” – usei agulhas tamanho 20 para tricotar (as mais grossas que tenho) e acabei por fazer uma gola inspirada nos princípios da “waldo cowl pattern” do blog your daily dose of fiber.

Ainda me sobrou bastante lã mas como não sou fã de feltrar e para fiar é impossível as opções são poucas.


Logo se vê o que vai sair.




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017


Depois de muito tempo a trabalhar com lã limpa e trabalhada por mim ou por pessoas que me dizem muito fiz “batota” e comprei mechas processadas industrialmente de lã para fiar. O resultado e o modo de trabalhar é bastante diferente. Pela primeira vez consegui fazer um fio homogéneo e uma torção que para mim funciona. Não estou a dizer que não vou voltar a limpar lã, mas sem as ferramentas certas não me parece que seja viável.

As meias são as maiores peças que tricotei com lã fiada por mim. Da mesma mecha saíram umas luvas sem dedos, muito simples para oferecer. As meias são para o Miguel, que me roubou as de Arga e que agora não tem desculpa que só tem um par de meias mesmo quentes.






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017





O Verão passado o Ricardo e a Rita trouxeram-me lã das Orkney. Apesar da textura ser diferente, em termos de espessura fez-me muito lembrar a Holst Coast. Como tenho uma malha muito larga optei por trabalhar com agulhas 2.25 – 2.50. Fiz um par de meias e luvas sem dedos que estão sempre na minha mala desde que foram feitas (o facto de serem muito finas e quentes é um ponto bónus).  As meias ainda precisam de ser rematadas.


Não compro lã há pelo menos 6 meses – entre a lã que me têm dado (quando alguém vai a algum lado e me perguntam o que quero peço sempre lã ou linha para tricot) e a que tenho fiado estou bastante entretida. 


Entretanto, há novos episódios do Raw Craft. Continuam a ser todos muito bons, mas o do sapateiro merece ser visto.




domingo, 12 de fevereiro de 2017




A minha casa é bastante húmida. Escusado será dizer que a maioria das coisas que tenho em madeira não se adaptam muito bem a passar o Inverno e a roda de fiar não foi excepção.


Depois de passar algum tempo à procura [sem sucesso] de cera de abelha para móveis regredi para uma solução que usava nos móveis do meu quarto quando estava em casa dos meus pais, o óleo de cedro. Sei que não é o ideal, mas depois de passar com uma lixa muito fina e de lhe dar o óleo a roda ficou completamente diferente. De futuro gostava mesmo de conseguir achar a cera de abelha mas por enquanto o resultado foi positivo. De que serve ter as coisas senão nos preocuparmos minimamente com a manutenção?



Entretanto ando entretida com este livro e esta revista. 



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017




Se calhar a melhor maneira de voltar a escrever neste blog é falar do que fiz com esta primeira meada que fiei e torci – fiz umas meias para um bebé que nasceu no inicio do ano. Acho que ficaram pequenas demais - tenho sempre problemas a acertar no tamanho dos pés pequeninos.

Muita coisa aconteceu pelo meio, mas isso são outras histórias.

Entretanto, deixo aqui umas coisas que merecem ser vistas:

O programa madeira-prima que está a passar na RTP2 e que é o meu momento zen da semana.

Um documentário importante que ajuda a perceber o problema daquilo que comemos.